Recheada de erotismo e história, Xica da Silva trouxe de volta o prestígio da TV Manchete após anos de crise. A história girava em torno da personagem título, Xica da Silva, uma escrava que virou rainha no século XVIII.

Xica era escrava do Comendador Felisberto Caldeira D’Abrantes, o homem mais importante no Brasil naquela época, e ao descobrir que ia ser vendida junto com sua mãe para um bordel, rouba-lhe toda sua fortuna em diamantes, arruinando seus senhores e fazendo o Comendador fugir para um quilombo.
Guardando os diamantes roubados para comprar sua alforria, Xica é vendida para o Sargento-Mor Tomaz Cabral. Em sua nova casa, Xica desperta o interesse do noivo de sua ama, Violantes (Drica Moraes) e o contratante João Hernandes de Oliveira (Victor Wagner) compra a escrava.

Xica se recusa a dormir com seu novo Senhor, o que desperta cada vez mais a paixão dele pela escrava. Depois da primeira noite de amor dos dois, João resolve romper com Violante e assumir seu relacionamento com Xica, que garante uma vida com os maiores luxos possíveis.

Depois de uma armação de Violantes, Xica é acusada de bruxaria e enviada para a fogueira. Para salvar a amada, João viaja para Portugal com Violante e se casa com ela, mas logo após a cerimônia abandona a esposa em seu castelo e vem ficar com Xica no Brasil.

Murilo interpretou Martim, o que lhe concedeu o status de galã, um dos três filhos do comendador. Após a fuga de seu pai, Martim vai morar na pensão de uma velha bruxa, Dona Benvinda (Miriam Pires) junto com sua irmã Paulina (Maria Clara Mattos). Antes, prometido a Das Dores (Carla Regina), filha do capitão-mor Gonçalo (Eduardo Dusek), tem seu relacionamento impedido pelo pai da moça depois de seu pai ser preso como traidor da Coroa.

Para viver o amor proibido, Martins e Das Dores decidem fugir, mas o plano do casal faz com que ela seja acusada de bruxaria e condenada à forca. Das Dores é salva por Xica, e depois de um tempo separados, o casal foge com seu filho no final da novela.

Xica da Silva marcou a dramaturgia nacional por diversas razões. Foi a primeira novela a ser protagonizada por uma mulher negra, em um período em que mulheres tinham pouco espaço nas tramas, principalmente as negras. O realismo da novela é algo comentado até os dias de hoje, a hipocrisia da classe dominante, o uso do erotismo e da violência eram utilizados de maneira certa, tornando a história coesa, uma verdadeira obra-prima.

“O martim é o melhor personagem que já fiz. Ele é romântico e vingativo ao mesmo tempo. É gratificante ter um bom papel, uma boa história e um bom diretor.”

Murilo para o jornal O Dia, em 20 de outubro de 1996.