Lago 22, com direção de Jorge Takla, foi muito mais do que uma mera peça de tema LGBT. O espetáculo era uma “história de amor, tirania, preconceito e discussão sobre o poder” (Jornal do Brasil, 20/07/94). Aqui, Murilo foi Spencer.

A apresentação iria se chamar “Eduardo II”, mas teve que alterar o título por conta de uma outra peça inspirada no mesmo texto de Christopher Marlowe, dirigida por Moacyr Góes. A escolha do novo nome foi inspirada na trilogia elisabetana iniciada em 1988, com o título de “Lago 21”. Apesar de ambas serem baseadas no mesmo texto, as peças foram marcadas por suas singularidades. Lago 22, por exemplo, mistura textos de Hamlet, de William Shakespeare e A gaivota, de Tchecov.

A peça, que foi escrita por um contemporâneo de Shakespeare, é baseada na real história do rei inglês Eduardo II. Pouco se fala sobre esse rei, porque os próprios ingleses não gostam muito de falar sobre aquele que levou o país à ruína, com uma administração catastrófica. Ele era polêmico e tinha um romance homossexual com Gazeston, um jovem francês. Sua esposa, a rainha Isabela, tenta em vão recuperar o amor de seu marido, acaba se envolvendo com o líder da oposição, consegue derrubar o rei e fazer seu filho Eduardo III assumir o trono. Entretanto, o filho surpreendentemente manda prender sua mãe, que passa 20 anos na Torre de Londres até morrer.

A peça contava com uma trilha sonora executada ao vivo, no piano, por Marcelo de Alvarenga. A construção da peça como um todo, envolvendo figurino e cenários, foi feita para dar destaque aos atores e ao texto. Chegou a ficar um ano em cartaz em São Paulo e um prêmio Shell pela direção.