Inspirada na obra original do alemão Arthur Schnitzler, em 1922, e adaptada para o teatro por David Hare, da Inglaterra (versão esta que foi interpretada pela incrível dupla Nicole Kidman e Iain Glen), Blue Room veio ao Brasil em 2002 com a direção de José Possi Neto. No palco, Murilo Rosa e Christiane Torloni viveram não só um, mas 5 diferentes personagens, cada, numa sedutora peça que convidou os espectadores a se tornarem verdadeiras testemunhas oculares, quase como um voyeurismo coletivo, presenciando 10 encontros sexuais que se conectam entre si.

Segundo o Istoé Gente, a peça discutiu “os limites do prazer e da carência com bom humor, plasticidade e uma afinada dupla de atores”.
(https://www.terra.com.br/istoegente/153/diversao_arte/teatro_blue_room.htm)

Para a versão brasileira, o diretor decidiu inventar a história de cada personalidade, em conjunto com os atores. Isso permitiu colocar as suas próprias fantasias e desejos em seus personagens, tornando-os ainda mais verossímeis. As personagens de Torloni, por exemplo, iam desde uma sexy empregada doméstica até uma clássica modelo burra. Enquanto isso, Murilo se dividiu entre um dramaturgo egocêntrico, um taxista, um adolescente, um político e um fã de uma atriz famosa – que consegue ir para a cama com seu ídolo.

“O primeiro encontro se dá entre uma prostituta e um motorista. O mesmo motorista transa com a empregada, que transa com o filho da dona da casa, que transa com a amiga da mãe e assim por diante, sendo que os encontros seguintes são do marido da dona da casa com uma modelo, desta com um escritor, deste com uma atriz, que por sua vez mantém relações sexuais com o motorista, que volta a se encontrar com a prostituta.” Explica a matéria publicada sobre a peça, no jornal O Estado de São Paulo.